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Artigo Técnico para Enfermagem e Equipe Multiprofissional

Prevenção da Infecção de Sítio Cirúrgico (ISC): Atualização das Diretrizes OMS e Regulamentações Vigentes


Contexto

  • A OMS publicou em 2016 as Global Guidelines for the Prevention of Surgical Site Infection, atualizadas em 2024 com 29 estratégias baseadas em evidências.

  • No Brasil, a ANVISA (RDC nº 36/2013 e RDC nº 50/2002, entre outras) e programas de acreditação como ONA e JCI exigem protocolos de segurança cirúrgica e prevenção de ISC.

  • A metodologia GRADE continua sendo utilizada para classificar a força das recomendações e a qualidade das evidências.


Principais Recomendações OMS (2024)

EtapaMedidaEvidência/Força
Pré-operatórioBanho com sabão antisséptico nas 24h anterioresForte / Evidência moderada
Uso de clorexidina alcoólica para antissepsia da peleForte / Evidência alta
Evitar remoção de pelos; se necessário, usar aparador elétricoForte / Evidência moderada
IntraoperatórioProfilaxia antibiótica até 2h antes da incisão; suspender em 24hForte / Evidência alta
Manutenção da normotermia (cobertores térmicos, fluidos aquecidos)Forte / Evidência moderada
Controle rigoroso da glicemiaForte / Evidência moderada
Pós-operatórioUso adequado de materiais estéreis e descarte seguroForte / Evidência alta

Técnica de Tricotomia (quando indicada)

  • Agente responsável: enfermeiro, técnico ou auxiliar de enfermagem.

  • Materiais: luvas de procedimento, tricotomizador cirúrgico elétrico, gazes.

  • Passos críticos:

    • Higienizar as mãos antes e após o procedimento.

    • Orientar e garantir privacidade ao paciente.

    • Realizar a tricotomia seguindo o sentido do crescimento dos pelos, evitando lesões cutâneas.

    • Descartar lâmina em recipiente adequado.

    • Registrar no prontuário conforme normas institucionais e acreditações.


Evidências Científicas Recentes

  • Estudos mostram que a depilação com lâmina aumenta o risco de ISC, enquanto o uso de aparadores elétricos reduz complicações.

  • A profilaxia antibiótica prolongada está associada ao aumento da resistência antimicrobiana, reforçando a recomendação de suspensão em até 24h.

  • Normotermia intraoperatória e controle glicêmico rigoroso reduzem significativamente taxas de ISC em cirurgias de grande porte.


Implicações para a Prática Multiprofissional

  • Enfermagem: execução segura da técnica de tricotomia, antissepsia e monitoramento pós-operatório.

  • Cirurgiões: adesão às recomendações de antibióticos e técnicas assépticas.

  • Anestesiologistas: manutenção da normotermia e controle glicêmico.

  • Gestores: implementação de protocolos institucionais alinhados às normas da ANVISA e acreditações internacionais.


Conclusão

A prevenção da ISC é multifatorial e multiprofissional, exigindo integração de protocolos baseados em evidências, alinhados às diretrizes da OMS e às regulamentações nacionais. A atualização contínua e o registro adequado das práticas são fundamentais para garantir segurança do paciente cirúrgico e excelência assistencial.


Referências Bibliográficas e Institucionais

  1. World Health Organization (WHO). Global Guidelines for the Prevention of Surgical Site Infection. 2nd ed. Geneva: WHO; 2024. Disponível em: https://www.who.int/publications (who.int in Bing)

  2. World Health Organization (WHO). WHO Guidelines for Safe Surgery 2009: Safe Surgery Saves Lives. Geneva: WHO; 2009. Atualização e complementação das diretrizes de 2008.

  3. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

    • RDC nº 36, de 25 de julho de 2013 — Institui ações para a segurança do paciente em serviços de saúde.

    • RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002 — Regulamento técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde.

    • Nota Técnica GVIMS/GGTES nº 03/2018 — Prevenção de Infecção de Sítio Cirúrgico.

  4. Organização Nacional de Acreditação (ONA). Manual Brasileiro de Acreditação Hospitalar. 2023. Diretrizes para segurança do paciente e controle de infecções.

  5. Joint Commission International (JCI). Hospital Accreditation Standards. 8th ed. Oak Brook, IL: JCI; 2024. Capítulo: Infection Prevention and Control (IPC).

  6. GRADE Working Group. Grading quality of evidence and strength of recommendations. BMJ. 2004;328(7454):1490–1494. Metodologia utilizada pela OMS para classificação das evidências.

  7. Palmieri, A.C.M.R. Tricotomia e Prevenção de Infecção de Sítio Cirúrgico. Blog APCD, 2017. Revisado e atualizado conforme diretrizes OMS 2024 e ANVISA.

  8. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Guideline for the Prevention of Surgical Site Infection. 2023 Update. Atlanta, GA: U.S. Department of Health and Human Services.


Data da publicação: 26/02/2017
Data da última revisão: 02/09/2026
Validação e aprovação: Aña Carolina Palmìeri - Educação Corporativa

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