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I- É terminantemente proibida a cópia total ou parcial das postagens neste blog.
II- Você pode citar trechos das postagens publicadas aqui desde que inclua um link de referencia ao blog "Enfermagem Continuada", dando os créditos de autoria a mim Enfª Aña Carolina Palmìeri.
III- Lei 9610 - artigo 184 do Código Penal brasileiro.

Introdução

A Infecção de Corrente Sanguínea (ICS) é uma das principais Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), associada a elevada morbimortalidade, prolongamento da internação e aumento dos custos hospitalares. A prevenção e o tratamento adequados são fundamentais para a segurança do paciente e para a qualidade da assistência em saúde.


Metodologia

Este artigo foi elaborado a partir de revisão narrativa de literatura científica indexada em bases internacionais (PubMed, Scielo, Cochrane), documentos oficiais da ANVISA, CDC (Centers for Disease Control and Prevention) e OMS, além de legislações e regulamentações nacionais e internacionais sobre segurança do paciente e controle de infecções.


Resultados e Discussão

1. Conceito

  • ICS: presença de microrganismos (bactérias ou fungos) na corrente sanguínea, confirmada por hemocultura.

  • Pode ser primária (sem foco aparente, geralmente associada a cateteres) ou secundária (decorrente de outro foco infeccioso).

  • É considerada evento adverso grave pela Organização Mundial da Saúde (OMS).


2. Fatores de Risco

  • Uso prolongado de cateter venoso central (CVC).

  • Inserção em condições não estéreis.

  • Pacientes imunocomprometidos ou críticos em UTI.

  • Falhas na higiene das mãos e na troca de curativos.

  • Uso indiscriminado de antimicrobianos, favorecendo resistência bacteriana.


3. Dados Epidemiológicos

  • Brasil (ANVISA – PNPCIRAS): monitoramento contínuo em UTIs adultas mostra ICS como uma das principais Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS).

  • Estudo em Maceió/AL: predominância de Staphylococcus coagulase-negativo (51,14%), Staphylococcus aureus (11,21%) e Klebsiella pneumoniae (6,32%).

  • Estados Unidos: mortalidade atribuível pode superar 10%, chegando a 25% em pacientes de alto risco.

  • Europa (Suécia, estudo de 14 anos): aumento de casos correlacionado à resistência antimicrobiana, reforçando necessidade de Programas de Stewardship.


Tabela 1 – Taxas de ICS: Brasil vs EUA/Europa

Região/PaísTaxa de ICS em UTIsMortalidade atribuívelFonte/Regulamentação
Brasil (ANVISA)Variável por hospital; ICS entre principais IRAS~15%PNPCIRAS, RDC nº 36/2013
EUA (CDC)1,1–2,0 por 1.000 dias de CVC10–25%CDC Guidelines (2021)
Europa (Suécia)Tendência de aumento em 14 anos12–20%ECDC, estudos nacionais

4. Maiores Ofensores

  • Gram-positivos: Staphylococcus aureus, Staphylococcus coagulase-negativo.

  • Gram-negativos: Klebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa.

  • Fungos: Candida spp. em pacientes imunossuprimidos.


Tabela 2 – Principais Microrganismos Isolados em ICS

CategoriaMicrorganismos predominantesFrequência aproximada
Gram-positivosStaphylococcus aureus, Staphylococcus coagulase-negativo50–60%
Gram-negativosKlebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa, Enterobacter spp.20–30%
FungosCandida spp.5–10%

Medidas de Prevenção

  • Bundles de prevenção (pacotes de boas práticas):

    • Higiene rigorosa das mãos.

    • Uso de barreiras estéreis máximas na inserção.

    • Antissepsia com clorexidina alcoólica.

    • Troca regular de curativos.

    • Educação continuada da equipe multiprofissional.

  • Checklists de inserção de CVC: comprovadamente reduzem taxas de ICS em países desenvolvidos e são recomendados pela ANVISA.

  • Monitoramento institucional: auditorias internas e indicadores de adesão.


Tratamento

  • Retirada do cateter quando possível.

  • Antibioticoterapia direcionada conforme resultado da hemocultura e perfil de sensibilidade.

  • Terapia antifúngica em casos de candidemia.

  • Suporte clínico intensivo em pacientes graves.


Legislação e Regulamentações

  • Brasil: ANVISA – Programa Nacional de Prevenção e Controle de IRAS (PNPCIRAS); RDC nº 36/2013 (Segurança do Paciente).

  • Internacional:

    • CDC (EUA): Guidelines for the Prevention of Intravascular Catheter-Related Infections.

    • OMS: recomendações globais de segurança do paciente e prevenção de IRAS.


Interpretação

  • O Brasil apresenta variabilidade significativa nas taxas de ICS, refletindo diferenças estruturais e de adesão às práticas de prevenção.

  • Nos EUA e Europa, apesar de taxas menores, a mortalidade atribuível continua elevada, reforçando a gravidade da ICS.

  • Os Gram-positivos são os maiores ofensores, mas o aumento de Gram-negativos multirresistentes e de candidemia exige vigilância constante e protocolos de stewardship antimicrobiano.


Conclusão

A prevenção da ICS depende da adesão rigorosa às diretrizes nacionais e internacionais, do comprometimento institucional e da educação permanente da equipe de saúde. O tratamento deve ser rápido e baseado em evidências microbiológicas, sempre associado ao manejo adequado dos dispositivos vasculares.


Checklist de Prevenção de Infecção de Corrente Sanguínea (ICS)

Antes da Inserção do Cateter

  • [ ] Higienizar as mãos com técnica correta.

  • [ ] Utilizar barreiras estéreis máximas (luvas, máscara, gorro, avental estéril, campo estéril amplo).

  • [ ] Realizar antissepsia da pele com clorexidina alcoólica 2% (preferencial).

  • [ ] Escolher sítio de inserção com menor risco (evitar veia femoral).

  • [ ] Confirmar indicação clínica do cateter.

Durante a Inserção

  • [ ] Manter técnica asséptica rigorosa.

  • [ ] Utilizar material estéril e descartável.

  • [ ] Documentar data, hora e profissional responsável pela inserção.

Após Inserção

  • [ ] Fixar cateter adequadamente para evitar deslocamento.

  • [ ] Cobrir sítio de inserção com curativo estéril transparente ou gaze estéril.

  • [ ] Registrar em prontuário o tipo de cateter, número de lúmens e local de inserção.

Manutenção do Cateter

  • [ ] Higienizar as mãos antes e após manipulação.

  • [ ] Desinfetar conexões com álcool 70% antes de cada acesso.

  • [ ] Trocar curativo conforme protocolo institucional (curativo transparente a cada 7 dias ou antes se sujo/úmido).

  • [ ] Avaliar diariamente a necessidade de manutenção do cateter.

  • [ ] Retirar cateter assim que não houver indicação clínica.

Monitoramento

  • [ ] Realizar vigilância ativa de ICS (indicadores de densidade de incidência).

  • [ ] Notificar eventos ao Núcleo de Segurança do Paciente.

  • [ ] Participar de treinamentos periódicos sobre prevenção de IRAS.


Referências

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Medidas de prevenção de infecção de corrente sanguínea associada a cateter venoso central. Brasília: ANVISA, 2017.

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Programa Nacional de Prevenção e Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (PNPCIRAS). Brasília: ANVISA, 2013.

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Resolução RDC nº 36, de 25 de julho de 2013. Institui ações para a segurança do paciente em serviços de saúde. Diário Oficial da União, Brasília, 26 jul. 2013.

O’GRADY, N. P. et al. Guidelines for the prevention of intravascular catheter-related infections. Clinical Infectious Diseases, v. 52, n. 9, p. e162–e193, 2011.

WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). WHO guidelines on hand hygiene in health care. Geneva: WHO, 2009.

WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Global patient safety action plan 2021–2030. Geneva: WHO, 2021.

WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Core components for infection prevention and control programmes. Geneva: WHO, 2016.

EUROPEAN CENTRE FOR DISEASE PREVENTION AND CONTROL (ECDC). Healthcare-associated infections acquired in intensive care units – Annual epidemiological report. Stockholm: ECDC, 2022.

OLIVEIRA, A. C.; SILVA, R. S. Infecção de corrente sanguínea relacionada a cateter venoso central em unidade de terapia intensiva: estudo epidemiológico. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 22, n. 3, p. 270–276, 2010.

WISPLINGHOFF, H. et al. Nosocomial bloodstream infections in US hospitals: analysis of 24,179 cases from a prospective nationwide surveillance study. Clinical Infectious Diseases, v. 39, n. 3, p. 309–317, 2004.

BLOMBERG, B. et al. Long-term trends in bloodstream infections in Sweden: a 14-year nationwide study. The Lancet Infectious Diseases, v. 15, n. 3, p. 338–345, 2015.


Data da publicação:13/09/2026
Validação e aprovação: Aña Carolina Palmieri - Educação Corporativa

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